terça-feira, 25 de agosto de 2009

[Capítulo 7] Despertar


Fui arremessada contra a parede com a enorme força da criatura,
bati a cabeça na parede e tudo ficou escuro.Estava envolvida por imagens aterrorizantes daquelas criaturas
que vinham atrás de mim e eu não conseguia correr para um lugar
seguro, corria pelas ruas desertas da cidade com apenas eu e a
legião de mortos querendo minha companhia. Virei uma esquina e
dei de cara com aquela criatura, aqueles olhos frios e negros,
aquelas garras… Despertei de meu torpor com um grito estridente
no qual eu mesma me assustei. Meu corpo doía, minha cabeça
girava como se eu estivesse de ressaca após uma noite de muita
bebedeira. Olhei ao meu redor e logo vi Kevin e Mei, ambos me
olhavam preocupados:

- Você está bem? – Perguntaram juntos e riram do sincronismo
não combinado.

Minha cabeça doía demais para responder, acenei com a cabeça.
Comecei a sentir lentamente uma dor em minha perna que parecia
aumentar cada vez mais, mais e mais. Coloquei as mãos sobre a
perna que doía e percebi que havia ali um torniquete que
provavelmente havia sido feito por Mei. Ao tirar a mão vi que
estava encharcada de sangue, havia perfurações em minha perna,
aquela criatura, sim, só pode ter sido ela.

- O que aconteceu? – Perguntei ainda com a mão sobre a cabeça.

- Selly – Pronunciou Kevin lentamente – Aquela criatura enorme
arremessou você contra à parede, sorte que estava por perto –
De repente seu rosto pareceu distante – Disparei contra a
criatura que largou você e veio em minha direção, desviei o
ataque dele e consegui pegar você e fugir para o piso inferior,
a criatura veio atrás de mim, mas por algum motivo parou de nos
perseguir. Estamos agora no laboratório do hospital trancamos a
porta, estamos seguros aqui, mas estamos presos. Os mortos
estão do lado de fora querendo entrar, precisamos pensar rápido
em como sair daqui, consegue andar Selly?

Acenei com a cabeça que ainda doía muito, tentei me colocar de
pé, mas precisei da ajuda de Kevin para não cair. O torniquete
estava deixando minha perna roxa, me perguntava quanto tempo
havia apagado. Caminhei com a ajuda de Kevin até o computador
principal e entrei no sistema, o mesmo estava corrompido devido
à queda de energia. Não conseguir acessar nada de importante,
comecei a vasculhar pastas e mais pastas que estavam nas
gavetas da escrivaninha quando notei uma gaveta trancada. O que
haveria em seu interior? Voltei minha atenção para Mei que
vomitava em um canto, ela estava mal e precisava do antivírus o
quanto antes ou seria impossível reverter o processo mais
tarde. Com minha lanterna bati contra a gaveta e arrebentei a
fechadura, joguei a gaveta no chão e comecei a vasculhar,
papeis e mais papeis, até que um me chamou a atenção:

“O T-Vírus é um vírus de RNA e DNA conjunto com 13 substâncias
protéticas adcionadas no código genético por Lord Spencer e
Edward Ashford. É capaz de converter mais 80 substâncias das
cadeias genêticas dos infectados. Isso garante:Resistência ou tolerância à dor, Prolongamento da expectativa
de vida, Funcionamento das partes vitais do cérebro (Locomoção,
visibilidade e diferenciação de objetos movéis e vivos,
necessidade de alimento igual a própria substância
constituinte.
Criado pela poderosa Umbrella Corporation, foi descoberto por
acaso quando cientistas tentavam descobrir um jeito de retardar
o envelhecimento, mas o vírus era mortal e matava as pessoas
entre 2 a 4 horas depois de seu contato (que se pode dar
atraves do ar, pela mordida ou arranhão de um infectado). O
T-Vírus mata a pessoa, ou caso ela ja esteja morta, ela
regenera todas as células do corpo, reanimando o cadáver, mas
apenas uma parte do sistema nervoso é re-ativado, a parte
responsável por se alimentar, tornando as pessoas infectadas
canibais. Sendo injetada em doses controladas, pode regenerar
células sem que mate a vítima curando deficiencias, até mesmo
feridas e sendo injetada diretamente no sangue causa mutação.
O T-Vírus foi desenvolvido por James Marcus a partir do
Progenitor Virus mais DNA de sanguessuga, mas essa primeira
forma do T-Vírus ainda não era estável. Então, em 1978, a
Umbrella descobre na África o vírus Ebola, capaz de matar o
infectado em alguns dias. Pensando na possível criação de uma
arma biológica, William Birkin e Albert Wesker combinam o Ebola
com o Progenitor Virus e utilizam o já desenvolvido T-Virus de
Marcus. O resultado é o T-Vírus, que gera novos estudos em
diferentes tipos de seres vivos até originar a criatura Tyrant,
a primeira grande arma biológica da Umbrella."

Ao acabar de ler estava perplexa, passei os documentos para
Kevin que leu atentamente. Sentei no chão com a certeza estava
infectada e pouco tempo estaria copmo a Mei e depois estaria
morta, teoricamente. Sentada ainda lembrei da maleta que
encontrei com os frascos, aquilo só podia ser o vírus e o
antivirus! Só podia ser!

- Kevin, quando você me achou eu estava com uma maleta? Onde
está a maleta? - Estava exasperada.

- Não vi maleta alguma Selly.

- Eu achei uma maleta com, provavelmente, o antivirus - Virei
para Mei e gritei - Mei, você vai ficar bem! Vamos ficar bem!
Mei virou para o lado e vomitou ainda mais. Estava péssima,
olheiras rochas formavam-se sob seus olhos e ela estava um
tanto quanto pálida. Estaria morrendo e se tranformando em um
zumbi?

- Provavelmente deve ter caido quando você foi arremessada
Selly, temos que conseguir recupera-lá, Mei precisa de ajuda.

- Como vamos sair daqui agora? Estamos cercados Kevin -
Resmungou Mei.

- Eu não sei, mas vamos conseguir! Você precisa ser forte
gatona! - Kevin deu um meio sorriso e Mei riu.

Vasculhamos a sala, mas não encontramos nada de útil, apenas
uma muleta na qual eu me apoiei para poder andar mais
facilmente, meu ferimento na perna já se estancara, retirei as
bandagens e Kevin fez um curativo. Estavamos com poucas balas
agora, Deus, por favor, nos ajude!





[Continua]

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

[Capítulo 6] Elevador

A grade caiu com um barulho que ecoou no chão da sala de cirurgia, Mei foi a primeira a entrar no tubo de ventilação, eu fui logo em seguida e Kevin por último dando cobertura. Mei se arrastava ora e outra resmungando consigo mesma, sua passagem era marcada por um rastro de sangue que ficava nas paredes do tubo de ventilação. Estava começando a ficar preocupada com a vida de Mei.
Ao rastejar pelos tubos passamos por diversas partes do edifício, pelas grades conseguíamos ver a quantidade daquelas criaturas que haviam ali embaixo, seria impossível ir caminhando. Depois de aproximadamente trinta minutos chegamos ao refeitório, olhando pelas grades conseguíamos ver cerca de três mortos-vivos, mas a visão era limitada da nossa posição. Mei retirou as grades e pulou descendo para o refeitório, ouvi alguns tiros e Mei gritou:

- Está limpo.

Saltei sobre uma mesa e logo em seguida Kevin pulou, havia alguns zumbis abatidos na sala. Andamos silenciosamente em direção ao elevador que estava com a porta travada. Kevin entrou em ação usando uma barra de ferro, tentando abrir a porta. Mei estava de cobertura ao final do cobertor e eu estava ao lado de Kevin.

- Kevin, mesmo que você abra a porta, como vamos descer?

- Nós vamos saltar pelas cordas – Respondeu.

- Hum, não sei porque, mas isso não me intimida mais! – Gargalhei.

Nesse instante Mei veio correndo e gritou:

- Kevin, abre essa porta logo, tem uma criatura enorme vindo!

Mei chegou e começou a dar várias bicudas na porta, o barulho ecoava pelo andar todo. Kevin estava desesperado agora e forçava a porta, e eu tentava mecher nos botões desesperadamente. Meio minuto depois avistamos a criatura, ela tinha cerca de três metros de altura, tinha olhos pelo corpo e uma garra enorme em uma das mãos, assim que a criatura nos avistou ela começou a caminhar mais rápido em nossa direção. Seu caminhar era silencioso e sua presença aterradora.

- Kevin! – Gritei.

Nesse instante ele conseguiu abrir a porta e tirou a camiseta rasgou-a em pedaços e lançou um para Mei e outro para mim. Seu corpo era grande e definido, e havia diversas cicatrizes em suas costas e abdome.

- Vai! – Gritou Kevin empurrando Mei para o buraco do elevador.

Mei saltou e segurou-se com o pano da camisa e foi deslizando pela corda, em seguida Kevin pulou e gritou para eu segui-lo, antes que eu pudesse pensar já estava na corda deslizando andares abaixo. Olhei para cima e vi a criatura passar as garras pela corda.

- Kevin! Mei! Pulem! – Enquanto gritava me balancei e pulei para uma das portas de andares abaixo e me segurei na beirada, Kevin e Mei fizeram o mesmo alguns andares abaixo. Estava cansada e sabia que não ia agüentar muito tempo, forcei e consegui me levantar e ficar na beirada da porta. Uma placa dizia que eu estava no primeiro andar do subsolo, Kevin estava um andar abaixo e Mei em outro abaixo. Forcei a porta e ela se abriu sem muitas dificuldades, gritei:

- Ké, Mei, consegui entrar! – Ao mesmo instante que gritava ambos conseguiram abrir as portas também.

- Selly, estamos quase no terceiro andar, espere ai que vou te buscar! – Disse Kevin.

- Não! Estou bem, vá procurar o antivírus pra Mei, eu já desço e encontro vocês! Não se preocupem comigo! – Ao dizer dei as costas e segui o corredor.

O corredor estava escuro, apenas algumas luzes estavam faiscando e iluminando ocasionalmente o ambiente, o final do corredor era uma terminação em T, para a esquerda encontrava-se a escada que levavam ao piso superior, para a direita levava para algumas alas hospitalares. Caminhei cautelosamente pelo corredor, atravessando silenciosamente as salas, avistei as escadas que iam para o piso inferior e sai correndo ao encontro delas o mais rápido que pude, de repente tudo ficou escuro.
Quando me dei por mim, estava jogada ao chão com um morto-vivo sobre mim. Lutava com todas minhas forças para arremessá-la para longe, mas eu não era tão forte. Ela tentava me morder e com minhas mãos eu afastava sua cabeça de meu corpo. Olhei para o lado e vi na porta de uma das salas uma tesoura caída no chão, junto com umas duas canetas, tentei apanhar a tesoura, mas estava longe demais. Agarrei a caneta e enfiei no olho da criatura que se afastou. Com um chute a joguei ao chão e agarrei a tesoura, tentei correr para a escada, mas ela estava bloqueando a passagem. Ela avançou novamente e com a tesoura fiz uma perfuração na sua jugular, segurei seu pescoço e arrastei a tesoura até o outro lado, puxei pelos cabelos e arranquei a cabeça dela e joguei em um canto distante. Eca.

- Vadia! – Falei com ódio.

Estava completamente suja do sangue dela, e nauseada. Antes de descer as escadas resolvi entrar na sala em que peguei a tesoura, pois quando estava no chão observei um porta retrato que me chamou a atenção. Era um escritório e havia algumas cadeiras ao chão e uma mesa virada. Um armário de madeira escura encontrava-se no canto esquerdo da sala. Caminhei lentamente pulando uma das cadeiras que estava obstruindo a passagem e agarrei o porta retrato que estava no chão e olhei a foto com atenção. Na foto havia uma legenda: “Dr. Henri Cristopher”, ele era loiro, usava óculos e tinha a pele muito clara. Caminhei em direção ao armário e o abri, havia diversas pastas, papeis virados, alguns vidros e uma maleta prata com senha. Por que alguém teria uma maleta com senha em seu armário? Agarrei a maleta e uma pasta com a legenda “Umbrella Corp.” e parti rumo às escadas.
Desci as escadas com pressa e parei nos últimos degraus e sentei, peguei a maleta e a coloquei em meu colo, precisava abri-la e descobrir o que havia em seu interior, comecei a girar os números e realizar diversas combinações, por sorte, como dizia meus professoras, eu tinha o dom para adentrar senhas e sistemas e em menos de vinte minutos abri a maleta. Nela havia uma pistola de ferro com alguns frascos verdes e azuis, o que era aquilo? Fechei a maleta e decidi ler a pasta em um lugar mais seguro. Terminei de descer as escadas. Segui o corredor correndo e virei à direita, meu corpo se estremeceu. Em minha frente estava aquela criatura que cortou os cabos do elevador, ela me olhou com um olhar sem expressões e deu um passo a frente.

[Continua]