quinta-feira, 28 de maio de 2009

[Capitulo 1] Kevin Dwight

[Continuação]

A porta veio a baixo com um baque ensurdecedor, uma cortina de fumaça se levantou do tapete vermelho. Por uma questão de segundo fiquei cega, mas ainda segurava com firmeza a faca.
Algo se aproximou, o braço apontado em minha direção, estremeci.
Segundos depois a poeira já havia abaixado e pude reconhecer que aquele ser segurava uma arma. A figura se aproximava com cautela.

- Quem é você? - Disse ele com uma voz forte e ameaçadora - Você está bem? Está ferida?

Estava assustada demais para falar, agora minha mão que segurava a faca tremia. Seria mais aceitável que um daqueles seres invadissem, pelo menos eu saberia como agir. Podia reparar que o rapaz era muito alto, sua cabeça quase batia no batente da porta. Seus braços eram fortes e os ombros largos, não conseguia ver sua face claramente, a iluminação local junto com a poeira não ajudavam em nada e talvez isso fosse melhor.

- Ei, não vou te machucar. Você está ferida? - Ele falava lentamente com sua voz agora grave e aveludada. Enquanto falava ele abaixou a arma e a colocou em sua cintura e caminhava lentamente em minha direção, passo após passo meu coração batia mais rápido, achei que teria um infarto a qualquer instante - Abaixe essa faca, não estou aqui para te machucar - ele abaixou lentamente e mantinha o olhar fixo em meus olhos, estava atento em minhas reações com medo que eu pudesse atacá-lo. Seus olhos eram de uma tonalidade castanho-mel vibrante, seus cabelos curtos brilhavam com a pouca iluminação que vinha de uma lâmpada fluorescente que tinha no corredor, ele tinha um rosto bonito, meio arredondado. Seu queixo fino fazia uma covinha linda, ele era lindo.

- Eu... Eu es-estou bem - Gaguejei.

- Meu nome é kevin Dwight, sou policial. Estava procurando um abrigo quando te encontrei - Ele relaxou quando abaixei minha faca e larguei-a no chão - Moro em uma cidade vizinha e fui convocado quando aconteceu o inciden... - Nisso ele me empurrou para o canto virou-se rapidamente - Mas que droga!

Minha visão ainda estava irritada por causa da poeira, mas pude ver algumas sombras se movendo sorrateiramente porta adentro, um calafrio me desceu costela abaixo e a única coisa que passou por minha cabeça era fugir, sair daquele lugar urgente, mas eu sabia que era impossível. A única entrada desbloqueada que havia era a porta principal que kevin havia posto abaixo.

Kevin se moveu rápido, sacou a arma de sua cintura e disparou dois tiros contra a criatura mais próxima que cambaleou e caiu sobre a pilha de cadeiras que em outrora bloqueava a passagem principal da casa. Kevin era rápido, disparava balas com precisão e velocidade incríveis, porém eram muitos. Antes que Kevin conseguisse virar seu corpo uma criatura o agarrou pelos ombros, Kevin largou a arma no chão e com as mãos livres segurou a cabeça da criatura forçando-a em direção contrária ao corpo dela, um barulho horrivel de aço raspado estalou e a criatura caiu ao lado de Kevin com um barulho estrondoso devido ao piso de taco envelhecido. Outras duas sombras rastejaram para dentro do pequeno cômodo, uma veio em minha direção rastejando e batendo contra as paredes estreitas da sala, havia um ferimento em seu pé direito, a cada passo que ela dava conseguia ouvir o osso estalando em contato com o chão, o barulho me dava arrepios. Corri para o cômodo mais próximo e sabia que estaria encrencada, estava no banheiro da casa e joguei-me dentro da banheira ainda molhada pelo banho que havia tomado pouco tempo antes, fechei o box. A criatura batia com força contra o box e eu sabia que o box não aguentaria muito mais, olhei em volta e avistei uma daquelas escovas de lavar as costas e segurei-a com força, abri o box e dei uma pancada perfeita na cabeça da criatura arremessando-a ao chão. Sem pensar duas vezes golpeei inumeras vezes sua cabeça até conseguir ver um buraco em seu crânio, ainda em choque continuava a golpea-la sem parar.

- Ei, ei, está tudo bem, calma! - Ouvia a voz aveludada de Kevin me chamando - Está tudo bem, calma, você está segura, está tudo bem!

Só parei de golpear quando Kevin segurou minha mão e forçou-me a largar a escova ao chão. Apenas percebi que estava chorando quando lágrimas começaram a escorrer em meus lábios, acho que o gosto salgado me ajudou a voltar à realidade.

- Você está bem? - kevin olhava fixamente em meus olhos lacrimejosos

- e-estou... Só fiquei com medo... - agora me engolia em lágrimas

- Calma, está tudo bem. Temos que sair daqui, ok? - Kevin me abaraçou forte, seu abraço era quente e caloroso, como os abraços que meu pai me dava em noites de natal - vamos!

Kevin me puxou pelo braço para a sala principal onde as criaturas adentraram, a sala estava cheia de sangue por todos os lados. Três mortos-vivos estavam largados ao chão, pude ver que a faca que havia largado no chão estava fixada na cabeça de um deles. Agora prestando mais atenção podia ver que eles vestiam roupas novas e haviam sinais de mordidas e arranhões sobre sua pele, era horrível olhar aquilo. Fechei os olhos.

Ao sair para o corredor Kevin largou o pente de balas vazio no chão e recarregou a arma com um pente novo.

- vamos sair dessa cidade o quanto antes! - exclamou - Alias, qual seu nome?

- Meu nome é Selly, Selly Jhompson - Não pude segurar o riso, era estranho demais. Talvez em outra situação isso parecesse um encontro. - Prazer! - Estendi a mão.

- Ha ha ha, prazer. vamos! - kevin deu um sorriso largo, seus dentes eram perfeitos.

Saimos apressados pelo corredor descendo uma longa escada que levava à rua. Aquele poderia ser o início de uma amizade, mas não queria pensar nisso agora, queria apenas me manter viva.

mv


[Continua]

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Diário de Selly Jhompson



Terça-feira, 19 de setembro de 2002.

Acordei desnorteada, meu pés doiam muito. Mal recordava onde estava quando me peguei de pé em um pulo, por um segundo pensei que estivesse em um pesadelo. Era muito pior.
Caminhei arrastando-me pelas paredes do cômodo em direção ao banheiro. O cômodo era minúsculo, as janelas estavam pregadas com uma madeira grossa, cadeiras e mesas estavam dispostas em frente a porta criando uma barreira frágil. A fronteira entre a vida e a morte.
Em meu rastejar tropecei sobre o tapete vermelho empoeirado no qual estava estampado um brasão na tonalidade verde escuro. O brasão era parecido com um escudo enrolado em samambaias.
Cheguei ao banheiro com dificuldade, as bolhas em meus pés estavam horríveis. Liguei o chuveiro e enquanto esperava a água esquentar retirava minhas roupas sujas e rasgadas, meu corpo estava com uma série de hematomas. Nada comparado ao horror em minha mente.
Entrei no banho e deixei a água cair sobre minha face, sentia o suor gelado escorrendo de meu pescoço até minhas pernas. Era reconfortante, paradoxal.
Sai do banho às pressas com receio de estar muito tempo estagnada no mesmo local, corri para os armários da residência e vasculhei procurando uma muda de roupa limpa. Por minha sorte encontrei uma calça jeans justa na cor preta e uma regata básica branca, ambas as peças cairam super bem e confortávelmente sobre meu corpo. Caminhei desviando de uma mesa tombada rumo a sapateira, vasculhei por alguns instantes e me peguei olhando um scarpim preto, mas sabia que seria uma escolha idiota. Agarrei as botas que me pareceram mais confortáves e coloquei-as no pé, realmente eram confortáveis e além de tudo lindas.
Caminhei rumo à janela e observei a noite afora, estava silenciosa, um silêncio mortal. Estremeci da cabeça aos pés.
Antes de sair parei frente ao espelho e ajeitei meus cabelos castanho escuro, inutilmente. Meus cabelos estavam cortados na altura do queixo, as pontas repicadas em um corte moderno que meu cabeleleiro Paul havia feito semana passada. Meus olhos estavam fundos e cansados, mal conseguia distinguir a cor verde clara de minha íris devido a irritação causada pela fumaça do incêndio que acontecera em meu apartamento a cerca de 14 quadras de minha localização atual.
Caminhei com cautela até a cozinha da pequena casa e vasculhei as gavetas buscando uma faca, uma faca grande. Minha busca foi em vão, mas encontrei uma lâmina com cerca de vinte centímetros, dez centímetros de lâmina afiada. Era razoavel. Coloquei-a em minha bota e parti rumo ao quarto, vasculhei os armários desesperadamente tentando ser o mais silênciosa possível, roupas e mais roupas caiam e formavam uma pilha no chão conforme as roupas eram arremessadas, em minha busca encontrei uma jaqueta de couro feminina e a atirei sobre a cama. Não encontrei nada de útil que me ajudasse em minha sobrevivência.
Caminhei lentamente respirando fundo e me preparando para sair, peguei a jaqueta que estava em cima da cama e a vesti rapidamente. Ao caminhar pela sala tropecei sobre o tapete e caí de joelhos.

- Que droga! - Exclamei com raiva, bati exatamente onde havia um hematoma causado pela noite anterior - Ai que dor!

Nesse momento um baque ecoou pela sala, algo estava esmurrando a porta com força, escorreguei pelo chão e parei com as costas encostadas na parede gélida disposta no canto oposto a porta. Por uma fração de segundo fiquei sem reação, tremia de medo por minha vida.
Enfiei a mão na bota e segurei a faca com força - que venha! - exclamava em pensamento.

[Continua]