quinta-feira, 30 de julho de 2009

[Capítulo 5] Sangue

Tinha apenas duas balas no gatilho, uma péssima pontaria e talvez alguma sorte. Minhas pernas tremiam e meu coração parecia pronto para um AVC, não havia tempo para abrir a porta magnética e muito menos coragem para encarar novamente aqueles cães monstruosos. Kevin pegava sua shotgun e apontava para a multidão de mortos-vivos que caminhavam em nossa direção, enquanto isso Mei recarregava sua TPM com suas últimas balas. Kevin já estava disparando tiros devastadores nos mortos-vivos, pedaços de carne voavam pelos ares e os mortos-vivos eram arremessados ao chão, Mei recarregou sua TPM e disparava tiros velozes nas criaturas mais próximas, que caiam no chão imóveis. Estava entorpecida pela situação, quando aquele pesadelo iria acabar? Silenciosamente um zumbi se levantou atrás de Mei, eu gritei, e ela se virou, mas era tarde de mais, a criatura agarrou Mei pelo braço e cerrou seus dentes em seu ombro arrancando um pedaço, Mei derrubou sua arma no chão e gritou de dor e raiva. Peguei minha handgun e disparei contra o zumbi que flanqueava Mei e acertei a bala em cheio no crânio espalhando miolos pelo chão e sobre Mei que me olhou agradecida e nem notou que outro morto-vivo estava próximo demais, apontei novamente minha arma para o zumbi e arremessei-o ao chão com um disparo perfeito, estava sem balas agora e meu coração batia: TUM, TUM.Kevin gritou:- Mei! Me dê cobertura, preciso recarregar!- Estou ficando sem balas Ké, são muitos! – Gritou Mei desesperada – Vamos sair daqui!Ainda haviam muitos zumbis vindo em nossa direção, olhei ao nosso redor planejando uma rota de fuga, havia escadas em uma outra extremidade da sala, a placa manchada de sangue no balcão principal dizia que as escadas levavam aos laboratórios. Enquanto pensava, Kevin e Mei já estavam disparando mais e mais tiros, o barulho dos disparos ecoava no hospital inteiro e isso não era nada bom…- Kevin! Mei! – Gritei – Vamos para os laboratórios! – Enquanto gritava me esquivei de um zumbi que tentou me agarrar – Kevin!Sai correndo pelo salão e logo estava nos primeiros degraus, Kevin venho logo em seguida seguido por Mei que lhe dava cobertura. Subimos as escadas aos pulos, enquanto Mei abatia os mortos mais próximos. Chegando ao topo da escada estávamos em um corredor largo, com diversas salas, o corredor estava sujo de sangue nas paredes e algumas janelas estavam quebradas, cacos de vidro estavam sobre o chão. Caminhamos exasperados pelo corredor, Mei estava na defensiva, ocasionalmente disparando alguns tiros. Viramos o corredor à direita e entramos em uma sala grande, ao entrar Kevin fechou a porta e colocou alguns equipamentos médicos em frente à porta criando uma barreira entre eles e nós. Estávamos agora em uma sala de cirurgia, a sala era muito grande, tinha aproximadamente uns dez metros quadrados, cheias de macas e mesas de cirurgia, uma parede de vidro escuro estava na outra extremidade da sala, era o tipo de vidro que poderíamos ver tudo que se passava do outro lado sem sermos vistos. Mei estava sangrando e resmungando sobre sua mordida, corri e comecei a buscar nas gavetas algum kit de primeiros socorros, achei gazes, esparadrapos e um pouco de álcool. Limpei a ferida aos xingos de Mei, a mordida foi profunda, pouco mais teria atingido o nervo e eu estava preocupada, pois o ferimento não se estancava. Limpei o local e apliquei um curativo que em poucos segundos já estava encharcado de sangue.- Obrigado Selly – Disse Mei – E valeu pelos miolos de morto em minha cara – Ela deu seu famoso meio sorriso.- Eu particularmente acho que você fica mais sexy assim! – Ao repetir as palavras dela dei uma gargalhada, não era tão cool. Mei riu.Kevin se aproximou lentamente, os passos dele ecoando pela sala silenciosa.- Selly, precisamos chegar logo ao topo do prédio, você tem alguma idéia? – Pronunciou Kevin com tom de seriedade – E precisamos conseguir um antivírus para Mei, você sabe o que acontece quando uma pessoa é contaminada Selly? – Kevin deu uma pausa e continuou quando acenei com a cabeça que não – Ela se torna um morto-vivo também, em média o processo dura aproximadamente duas horas Selly, temos que conseguir o antivírus logo e sair daqui, ok?Coloquei-me de pé em um segundo – Ok Kevin, vamos logo procurar! Esse hospital provavelmente tem uma ala específica que trata disso, temos que conseguir um mapa do hospital, vou checar se encontro algo nos sistemas daqui, minha colega de quarto já ficou internada aqui um tempo, conheço alguns andares do edifício – Me afastei e caminhei rumo ao computador que ficava no outro lado da sala em frente à parede de vidro.Digitei algumas senhas e rapidamente quebrei o código de acesso, ainda bem que estudava na faculdade ao invés de ir no bar como todo mundo, a sala até me esnobava e me chamava de nerd, mas quem estava vivo agora? Senti vergonha do meu pensamento egoísta.Continuei a digitar e consegui adentrar no sistema e logo achar a planta do prédio, o laboratório ficava no terceiro andar no subsolo, e havia uma rota simples a ser traçada. Havia túneis de ventilação que circulavam todo o prédio, poderíamos passar por dentre eles até o refeitório e pegar o elevador até o andar do laboratório, seria mais tranqüilo e muito mais seguro. Já tinha tudo planejado em minha mente. Quando desliguei o computador vi um vulto passando atrás de mim, vire assustada e um zumbi caminhava lentamente diante ao vidro escuro e virou no próximo corredor sem me ver por causa do vidro. Voltei a respirar. Caminhei até onde Kevin e Mei conversavam:- Tenho sei balas de Shotgun e duas caixas de 9mm – disse Kevin – Estou começando a ficar preocupado.- Tenho duas granadas, 20 balas de TPM, uma caixa e meia de 9mm e um rifle carregado com 12 balas – Continuou Mei – Acho que se evitarmos conflitos podemos sobreviver.Sentei no chão com eles, peguei um pedaço de papel e comecei a explicar o trajeto, ambos observavam atentamente e isso me motivava.- Saída pelo tubo de ar, atravessamos o refeitório e chagamos aos laboratórios, entendi! – Repetiu Kevin.- Espero não virar comida nesse refeitório – Disse Mei com sarcasmo.E juntos empilhamos as mesas e retiramos as grades do tubo de ventilação.



[Continua]

sexta-feira, 24 de julho de 2009

[Capítulo 4] Complicações

Em menos de um segundo estaria morta caso aquela criatura encostasse um dedo se quer em mim, eu vira exatamente o que aconteceu com a garota que foi pega por ele em uma rua próxima, estava com tanto medo que não conseguia me mecher. A criatura saltou com as garras na direção de Kevin, temia por sua vida mais do que por minha mesma, um borrão vermelho ofuscou minha visão. Mei saltou do alto da escada e com um movimento rápido e preciso deu uma bicuda com seu All Star Vermelho na cara da criatura arremessando-a para um dos bancos mais próximos. A criatura caiu com um baque estrondoso.

- Me deve uma baby! – Disse Mei olhando para a cara de espanto de Kevin – Gatinho assustado – Completou com um meio sorriso, ela era cool demais para dar um sorriso inteiro.

Mei olhou novamente para a criatura e sacou sua metralhadora TPM e começou a descarregar balas em cima da criatura, as balas acertavam o alvo em cheio, mas não havia sinal de que a criatura estava se ferindo. O licker pulou em cima da Mei que desviou e correu escada acima, a criatura foi atrás correndo mais rápido que um tigre, Mei deu largou sua TPM no chão e correu o mais rápido que podia e saltou do 1° andar para o térreo caindo em cima do púlpito da igreja e correndo o mais rápido que podia. A criatura estava preparando-se para saltar novamente sobre nós quando Mei com uma gargalhada apertou um detonador que estava em seu bolso. Cacos de vidro coloridos voaram sobre nós, nos jogamos ao chão para escapar dos estilhaços, fiquei surda de um ouvido por causa do barulho da explosão e ao levantar percebi que estava cheia de respingos de sangre da criatura. Mei andou calmamente até o local que deixou sua remote mine, pegou sua TPM e colocou-a de volta em suas costas e voltou ao nosso encontro.

- Ai ai Kevin, não posso deixar você sozinho um minuto se quer que você já se encrenca – Risos – Temos que sair logo dessa cidade , preciso de um banho. Vamos para o hospital pegar o helicóptero do cara lá.

- Explosiva como sempre heim, Mei, obrigado! Te devo uma – Disse Kevin.

- Gente, não quero atrapalhar a reunião de amigos, mas estou cheia de sangue de alien e preciso de um banho e roupas limpas – Disse levantando-me e cruzando os braços.

- Ha ha ha – Começou Mei repetindo cada sílaba pausadamente – Princesa, temos que dar o fora daqui o quanto antes, temos – Mei olhou no relógio – 3 horas e meia para dar o fora daqui, você toma banho depois ok! – Agora Mei deu um sorriso inteiro, incrível como sua expressão mudou do rebelde ao angelical, talvez seja esse o motivo do meio sorriso – Eu particularmente acho que você fica mais sexy assim! Hahaha.

- Palhaça! Haha – Disse gargalhando – Vamos então! – Ao pronunciar as palavras saí caminhando em direção à porta

- É melhor vazarmos mesmo, o barulho vai atrair os mortos-vivos, obrigado Mei! – E dei um sorriso em conjunto com dois tapinhas nas costas de Mei.

Abri a porta pesada da igreja e caminhamos rumo ao hospital, era uma caminhada curta, chegaríamos em menos de meia hora. Estava apreensiva.
Caminhamos em silêncio todo o percurso até que conseguíamos avistar o prédio do hospital da cidade, avistamos no caminho alguns mortos-vivos, mas eles não haviam nos visto, alias, um viu, mas como estávamos com pressa andamos rápido e deixamos ele várias ruas para trás.
No caminho teríamos que atravessar uma praça para chegar à entrada principal do hospital, adentramos na praça com cautela, Kevin e Mei estavam mais ariscos com o ambiente escuro e prestavam atenção em todos os sons existentes. Caminhamos ao som de nossos passos quebrando pequenos gravetos e folhas secas, até que Kevin parou de repente e fez sinal de silêncio com um dedo sobre a boca. Peguei minha handgun e tirei sua trava de segurança, fiquei ouvindo por um bom tempo o som da minha respiração e de meu coração acelerado, a respiração de Kevin estava forte, conseguia escutá-la mesmo estando a 2 metros de distância dele. Ouvi um barulho vindo de trás de uma árvore e apontei o lugar para Kevin e Mei, Kevin segurou firme sua handgun e ficou atento, mei pegou sua TPM e deu sinal para Kevin avisando que estava lhe dando cobertura. Kevin deu um passo e ao som de folhas secas ouvi um rosnado, um cachorro pulou em cima de Kevin derrubando-o no chão, Kevin pegou sua faca, mas Mei foi mais rápida e disparou com sua metralhadora no cachorro que foi arremessado para longe. Ele estava deformado, tinha partes de seus ossos à mostra e não tinha pêlos, apenas carne e músculos, mal tive tempo de respirar quando mais um cachorro pulou em minha direção, disparei contra ele, mas errei os dois tiros, Kevin arremessou sua faca no crânio do cachorro e acertou em cheio, o cão caiu com um baque surdo devido as folhas que cercavam o chão. Ouvi mais rosnados em diversos pontos, estavam nos cercando! Corri para perto de Kevin e Mei e alertei-os e juntos corremos para o hospital da cidade. Enquanto corríamos cerca de dez cachorros deformados correram atrás de nós, atravessamos a praça e estávamos no asfalto da rua, chegamos à porta do hospital, trancada! Mei com sua metralhadora abatia um por um dos cachorros, havia mais quatro deles atravessando a rua, Kevin tentava desesperadamente quebrar o código de segurança da porta eletrônica e eu mirava inutilmente contra os cães e desperdiçava minhas balas uma por uma. Mei ficou sem munição ao abater outro cachorro, e gritou por ajuda.

- Deixe comigo Kevin, vai ajudar a Mei! – Gritei - Vai!

Kevin pegou uma shotgun e disparava contra os cachorros, enquanto isso eu estava tentando decifrar aqueles códigos binários da porta do hospital enquanto ouvia tiros poderosos sendo disparados atrás de mim, me concentrei e comecei a aplicar minha técnica, digitava sequências de números intercaladas como uma louca quando finalmente a porta abriu.

- Mei, Kevin! – Gritei.

Eles correram para dentro e quando o último cachorro estava quase saltando porta adentro, fechei a porta e senti aquela força monstruosa da criatura que quase me empurrou para o chão, girei a manivela e acionei a trava eletrônica. Agachei no batente da porta sem ar, apreciando meu momento de paz.

- Selly… - Ouvi a voz de Mei me chamando.

Quando olhei em direção à ela reparei que o hall de entrada do hospital estava completamente destruído, havia uma moça retalhada na recepção com marcas de garras em sua barriga e tripas ao chão. O cenário era terrível, mas não era a real complicação, pude sentir na voz de Mei. Quando dei por mim já estava de pé com a arma apontada para dezenas de mortos-vivos que caminhavam com os braços estendidos em nossa direção.














[Continua]