quarta-feira, 24 de junho de 2009

[Capítulo 3] Mei Yonako

 

Kevin Correu pelo corredor quase tropeçando sobre o tapete vermelho, ele virou o corredor e subiu as escadas que levavam ao piso superior. Corri atrás dele, quando cheguei ao topo da escada a porta que Kevin havia passado havia se fechado com baque silencioso. Abri a porta, mas não encontrei nenhum sinal de Kevin. Ele sumira.

- Kevin? – Chamei inutilmente seu nome – Kevin, onde você está?

Atravessei a porta e caminhei pelo corredor indo em direção de uma outra escada. A iluminação era fraca, uns poucos candelabros estavam dispostos a cada metro e meio e iluminavam o ambiente com sua luz fantasmagórica, peguei a handgun que Kevin havia deixado comigo e a apontei para frente de meu corpo em estado de alerta. Dei dois passos em direção à escada quando ouvi um barulho estranho, como se alguma coisa tivesse sido arremessada ao chão, me encolhi de pavor, mas continuei subindo as escadas, chegando ao topo da escada ouvi novamente um barulho similar, ele vinha da sala mais próxima, engoli seco e caminhei até a sala, parei um segundo com a mão na maçaneta dourada da porta e em um movimento violento escancarei a porta e apontem a arma para o ser que se mexia no interior da sala.

- Heey, calmae! – Gritou - Abaixa essa arma, estou de boa aqui – Disse a garota levantando os braços e depois pegando o lampião e levando-o à sua cabeça para que eu pudesse ver sua face – Não estou infectada, sou policial e estou esperando meu parceiro Kevin.

Respirei fundo.

- Você deve ser a Mei, certo? Meu nome é Selly, estou com o Kevin, ele está pela igreja te procurando – dei uma pausa – Ele acha que você está em apuros – acrescentei.

Ela deu um meio sorriso – Certo gata! O Kevin anda exasperado como sempre. Vamos encontrar ele, descobri algumas coisas interessantes.

Mei saiu andando na frente, era impossível não olhar para ela, Ela era linda, tinha cabelos curtos bem escuros com pontas repicadas que davam um ar de “moderno” nela e combinavam com seus olhos castanhos com os cantos repuxados. Ela era alta e tinha a pele bem clara, usava uma calça jeans preta bem justa e uma regata preta que revelava uma tatuagem em formato de estrela no seu ombro esquerdo, o contraste em seu estilo era o All Star vermelho de cano médio que ela vestia por cima das calças. Mei andava rápido e com potência, como uma modelo desfilando em uma passarela. Descemos as escadas ate chegar ao hall da igreja.

- Mas que droga! – exclamou Mei furiosa – Vocês mecheram em meu notebook?

O notebook de Mei estava apagado sobre o mesmo banco de madeira escura. O que teria desligado o computador? Será que a bateria havia acabado? Olhei ao redor procurando por algo e notei que havia uma vidraça da igreja aberta, o espaço era suficiente para que um humano entrasse na capela.

- Mei, acho que alguém entrou aqui. Não estamos sozinhas – Disse apontando para a vidraça escancarada – Pegue seu computador, acho melhor acharmos logo o Kevin e darmos o fora daqui!

Mei fez uma expressão de pânico, agarrou seu notebook e tacou-o em sua mochila preta junto com o bloco de anotações e colou a mochila nas costas. Ela partiu subindo as escadas chamando pelo nome de Kevin, sem resposta. Estava começando a ficar preocupada.

- Selly, vamos nos separar. Eu cubro o andar de cima, e você cobre esse andar – Mei estava séria, sua voz era ríspida – Tome cuidado e qualquer coisa grite. Falou – Mei se despediu com uma piscadela de um olho só e um meio sorriso, ela era cool demais para usar um sorriso inteiro.

Peguei minha handgun e segure-a firme, atravessei uma porta de ferro pesada e entrei em outro corredor. O piso era de madeira e rangia a cada passo meu. O som estava me distraindo. No final do corredor havia outras duas portas, qual delas Kevin estaria? Continuei andando e adentrei pela porta da direita, era um aposento que provavelmente pertencera ao padre residente da capela. O cômodo era espaçoso, havia uma cama kingsize no meio do quarto e diversos guarda-roupas pelas paredes, uma grande estante continha varios livros, todos arrumados perfeitamente por ordem de tamanho, cor e assunto. Havia alguns papéis jogados sobre a cama, peguei-os com a mão esquerda e mantinha a mão direita com a arma apontada para a porta. Entre os papeis havia alguns jornais e um documento impresso. O jornal era recente, continha notícias sobre o incidente em Raccoon City, mortos-vivos e suspeita de atentado terrorista. Passei para o próximo documento e um trecho me chamou a atenção:

“New York City – 19 de Setembro

Senhor Vinicius temos outra missão pra você, compareça à colméia no terceiro andar do subsolo encontra-se a sala de controle geral, desligue toda a comunicação externa de Raccoon com o mundo. A Cidade será higienizada em 24 horas. Enviaremos um helicóptero para buscar você às 03:45 am no alto do hospital da cidade.

                                                                             Verônica.”

Então era isso, o padre Vinicius estava envolvido no incidente de Raccoon e pior, a cidade deixaria de existir em – olhei no relógio – apenas 4 horas, precisava encontrar Kevin e Mei e informar tudo. Precisavamos escapar desse pesadelo o quanto antes! Dobrei o papel e guardei no bolso do jeans e corri rumo ao corredor, quando de repente notei que a maçaneta da porta estava se mechendo, ela girava lentamente em sentido horário. Peguei minha arma e esperei pronta para atirar quando notei que era Kevin.

- Onde o senhorito estava? – Resmunguei brava – Descobri algumas coisas, precisamos dar o fora.

- Certo

Kevin foi pego de tão surpresa pela minha avalanche de perguntas que nem teve tempo de responder. Em um segundo estavamos descendo as escadas rumo ao hall e em mais um segundo estavamos parados no hall, Kevin com o telefone na mão.

- Mei? Alô! Mei você está me ouvindo? – Kevin resmungava sem resposta – Droga!

- A comunicação de Raccoon foi cortada – Explicava – Encontrei um e-mail que foi envia…

Parei de falar e de respirar, Kevin notou e olhou para o alto das escadas. Uma criatura do tamanho de um cavalo estava se esgueirando pelos degráus e olhando atentamente para nós. Eu não conseguia me mover nem um centímeto se quer, minhas mãos tremiam e parecia que não havia forças para se quer apertar o gatilho. A criatura tinha a pele com texturas de couro avermelhado, patas grandes como de leões e três garras do tamanho de facas de churrasco em cada uma das patas. Sua cabeça estava com o cerebro à mostra e em sua boca existiam duas fileras de dentes medonhos e afiados por onde sua língua passava mais de meio metro fora da boca.

- Ke-vin é o mesmo que vimos na rua…

Kevin não respondeu, ele não tinha reação. Estavamos imobilizados de medo enquando o mostro esgueirava passo por passo em nossa direção. Eu não podia ficar parada, tinha que agir! Peguei a pistola e apontei firmemente para ele e descarreguei o pente de balas. Errei os dois primeiros tiros acertando o piso da escada, mas os outros tiros foram em cheio. Um na cabeça, dois no peito e um em uma das patas. A criatura nem se quer demonstrou ter sentido as balas, olhei para o lado e Kevin tinha voltado a sí e sacado sua handgun, mas era tarde demais. A criatura saltou sobre nós, a sombra que ela causava contra a luz tampou minha visão e a única coisa que consegui ver foi um borrão vermelho na altura de minha cabeça.

LICKER

 

[Continua]

quarta-feira, 10 de junho de 2009

[Capítulo 2] Histórias

[Continuação]

Corremos pelo longo corredor, no caminho saltei sobre uma mesa que estava jogada no caminho.

- O que você estava fazendo trancada aqui? – Perguntou Kevin enquanto olhava atentamente a qualquer movimento com sua arma apotada.

- Passei a noite toda correndo, precisava descansar e esse me pareceu um bom lugar, e era até você decidir arrebentar a porta e trazer consigo aquelas criaturas – Ao falar dei uma piscada e um meio sorriso.

Kevin riu.

Ao sair às ruas reparei que a cidade estava irreconhecível, o caos estava nítido nas ruas. Carros batidos, casas com portões escancarados e manchas de sangue eram visiveis por todo o perímetro. O silêncio era absoluto, aquenas quebrava-se com o som de uma placa de trânsito pendurada por um fio que fazia um baque ao encontrar com a parede de um prédio.

- A situação é mais crítica do que parece, pegue isso – Enquanto falava Kevin me entregou sua handgun – Não sabemos o que podemos encontrar pela frente – Kevin estava pensativo, provavelmente pensando em algum plano, algum meio de escaparmos daquele inférno.

- Eu… Eu nunca usei uma arma de fogo antes – disse calmamente – Sei que você vai dizer que é só apontar e puxar o gatinho, mas não sei se vou conseguir.

- Você vai.

Kevin saiu caminhando e acenou para que eu o seguisse, estava morrendo de medo e o silêncio me fazia estremecer. Apenas ouvia-se os pessos de Kevin e os meus logo atrás ecoando na escuridão da rua 25. Os postes estavam apagados em uma viela que cruzava a rua 25 com a rua 21, segurei firme minha arma embora minha mão tremesse muito.

Caminhamos por vários minutos sem trocarmos uma palavra, Kevin estava atento a qualquer sinal de perigo e eu olhava constantemente para trás para que nada nos pegassem desprevenidos, meus músculos da perna já estavam doloridos de tanto andar, as concusões do dia anterior ainda estavam me incomodando, porém segui calada.

- Shhh! – Kevin sussurou e colocou a mão esquerda para trás impedindo-me de dar um passo à frente.

Kevin me puxou para o canto de uma parede e aguaixou. Ele observava atentamente como se estivesse esperando por algo, quando de repente eu vi o que ele devia ter escutado, uma jovem corria desesperadamente por uma praça gritando por ajuda, no caminho ela tropeçou a caiu ao chão, seus longos cabelos loiros esvoaçaram contra o chão. Ela se levantou rapidamente e continuou a correr. Senti um leve impulso em ir ajudá-la, ela precisava de ajuda, porém Kevin me segurou, qual era o problema dele? Nesse instante alguma coisa muito rápida passou por cima da garota e parou à sua frente, a criatura era grande, parecia uma espécie de cachorro monstruoso com garras imensas e seu cérebro estava à vista. Em questão de segundos a criatura avançou contra a pobre jovem e a derrubou no chão, a jovem virou-se e começou a engatinhar para o lado contrário à criatura, e o monstro avançava lentamente contra ela, como uma criança que estivesse brincando com a comida, o monstro abriu a boca e sua língua enrolou no pescoço da garota suspendendo-a no ar, logo em seguida só restava uma poça de sangue no chão e alguns vestígios de que houvera uma vida ali anteriormente e a criatura havia partido.

- O que era aquela coisa? – Perguntei com a mão na boca, em estado de choque, eu tremia da cabeça aos pés.

- Eu não faço idéia Selly, mas não pretendo ficar aqui para descobrir! Precisamos sair dessa cidade o quanto antes, nunca devia ter vindo para Raccoon – A voz de Kevin demonstrava pânico, pela primeira vez pude sentir o medo emanando dele e isso não me deixava muito confiante – Me dê um segundo, preciso fazer uma ligação, fique atenta a qualquer movimento.

Kevin pegou seu celular e discou os números rapidamente e apertou e apertou a tecla “send”.

- Mei! É o Kevin, preciso de ajuda, onde você está? – Kevin estava inquieto – Humm… Acho que isso não será possível, estamos muito longe. Vamos nos encontrar na igreja matriz, estou a meia hora de lá, ok? Tudo bem, tomarei cuidado. Beijos – Ele desligou o telefone e dirigiu-se à mim.

Uma rajada de vento passou pela rua e me fez tremer de frio um pouco.

- Essa Mei é sua namorada ou algo do tipo? Você tem algum plano? – Perguntei exasperada.

Kevin abriu um sorriso.

- Mei é minha companheira de equipe – ele agora riu – Vamos nos encontrar na Igreja matriz da cidade, não fica muito longe daqui, Mei está mais próxima e disse que não há sinais de mortos-vivos por lá – ele respirou fundo e continuou – Mei vai chegar primeiro e tentará contato com a base da cidade vizinha, ela pretende conseguir um helicóptero. Vamos andando!

Kevin mal terminou de falar e já estava caminhando novamente rumo à igreja, a arma erguida em punho. O trajeto era silêncioso, onde estariam todas as pessoas? E os mortos-vivos?

- Selly, me fale sobre você – Kevin perguntou sem olhar para mim, a voz dele era séria.

A pergunta inesperada me pegou de surpresa.

- Eu… é, eu sou Analista de sistemas de uma empresa aqui em Raccoon, tenho 26 anos, moro sozinha. Meus pais moram na Australia, vim estudar por aqui e nunca mais voltei. Acho que é isso – E você? O que está realmente fazendo aqui? – Aproveitei a deixa e lancei-lhe perguntas.

- Trabalho na polícia de uma cidade vizinha, recebi notícias de violência aqui em Raccoon e fui encaminhado para verificar, assim que cheguei me deparei com aquelas criaturas, tive que me abrigar na delegacia por quase um dia, Mei foi chamada para ajudar, eu alertei ela do perigo, mas ela é cabeçuda. Estava procurando sobreviventes pela região e por acaso encontrei você, o resto você já sabe – Kevin contou sua história da mesma forma que eu, resumida e precisa.

Haviamos caminhado por mais tempo que parecera já conseguia avistar a igreja matriz, em minutos estariamos lá. Andamos rápido e em silêncio até chegarmos na igreja, Kevin bateu na porta principal, mas não houve retorno. Kevin tirou um granpo de seu bolso e um cartão de crédito e em poucos segundos ele havia destrancado a porta. Entramos e ele fechou a porta com a tranca.

A igreja estava exatamente como da última vez que eu a vira, bancos estavam dispostos em fileras até o púlpito, alguns bancos estavam fora de lugar, como se tivessem sido empurrados. A igreja tinha janelas coloridas com imagens de santos ou alguma coisa do tipo, um tapete comprito e vermelho guiava-nos da entrada da igreja até o púpito. Em um dos bancos próximos encontrava-se um notebook ligado e um bloco de anotações com algumas linhas escritas e um rabisco que descia por toda a folha. O notebook estava em sua home, um site de busca. No campo de endereço estava escrito o endereço do site pela metade. Uma caneta estava jogada ao chão.

- Mei está em apuros! Foi perseguida por alguma coisa, precisamos ajudá-la!

igreja

[Continua]