segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Diário de Selly Jhompson



Terça-feira, 19 de setembro de 2002.

Acordei desnorteada, meu pés doiam muito. Mal recordava onde estava quando me peguei de pé em um pulo, por um segundo pensei que estivesse em um pesadelo. Era muito pior.
Caminhei arrastando-me pelas paredes do cômodo em direção ao banheiro. O cômodo era minúsculo, as janelas estavam pregadas com uma madeira grossa, cadeiras e mesas estavam dispostas em frente a porta criando uma barreira frágil. A fronteira entre a vida e a morte.
Em meu rastejar tropecei sobre o tapete vermelho empoeirado no qual estava estampado um brasão na tonalidade verde escuro. O brasão era parecido com um escudo enrolado em samambaias.
Cheguei ao banheiro com dificuldade, as bolhas em meus pés estavam horríveis. Liguei o chuveiro e enquanto esperava a água esquentar retirava minhas roupas sujas e rasgadas, meu corpo estava com uma série de hematomas. Nada comparado ao horror em minha mente.
Entrei no banho e deixei a água cair sobre minha face, sentia o suor gelado escorrendo de meu pescoço até minhas pernas. Era reconfortante, paradoxal.
Sai do banho às pressas com receio de estar muito tempo estagnada no mesmo local, corri para os armários da residência e vasculhei procurando uma muda de roupa limpa. Por minha sorte encontrei uma calça jeans justa na cor preta e uma regata básica branca, ambas as peças cairam super bem e confortávelmente sobre meu corpo. Caminhei desviando de uma mesa tombada rumo a sapateira, vasculhei por alguns instantes e me peguei olhando um scarpim preto, mas sabia que seria uma escolha idiota. Agarrei as botas que me pareceram mais confortáves e coloquei-as no pé, realmente eram confortáveis e além de tudo lindas.
Caminhei rumo à janela e observei a noite afora, estava silenciosa, um silêncio mortal. Estremeci da cabeça aos pés.
Antes de sair parei frente ao espelho e ajeitei meus cabelos castanho escuro, inutilmente. Meus cabelos estavam cortados na altura do queixo, as pontas repicadas em um corte moderno que meu cabeleleiro Paul havia feito semana passada. Meus olhos estavam fundos e cansados, mal conseguia distinguir a cor verde clara de minha íris devido a irritação causada pela fumaça do incêndio que acontecera em meu apartamento a cerca de 14 quadras de minha localização atual.
Caminhei com cautela até a cozinha da pequena casa e vasculhei as gavetas buscando uma faca, uma faca grande. Minha busca foi em vão, mas encontrei uma lâmina com cerca de vinte centímetros, dez centímetros de lâmina afiada. Era razoavel. Coloquei-a em minha bota e parti rumo ao quarto, vasculhei os armários desesperadamente tentando ser o mais silênciosa possível, roupas e mais roupas caiam e formavam uma pilha no chão conforme as roupas eram arremessadas, em minha busca encontrei uma jaqueta de couro feminina e a atirei sobre a cama. Não encontrei nada de útil que me ajudasse em minha sobrevivência.
Caminhei lentamente respirando fundo e me preparando para sair, peguei a jaqueta que estava em cima da cama e a vesti rapidamente. Ao caminhar pela sala tropecei sobre o tapete e caí de joelhos.

- Que droga! - Exclamei com raiva, bati exatamente onde havia um hematoma causado pela noite anterior - Ai que dor!

Nesse momento um baque ecoou pela sala, algo estava esmurrando a porta com força, escorreguei pelo chão e parei com as costas encostadas na parede gélida disposta no canto oposto a porta. Por uma fração de segundo fiquei sem reação, tremia de medo por minha vida.
Enfiei a mão na bota e segurei a faca com força - que venha! - exclamava em pensamento.

[Continua]

Um comentário:

  1. eu tinha comentado poxa!!!! quero saber logo oq vai acontecer, ficou mto bom!!!!! s2

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